quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Have a Nice Beer: Petrus



Há pouco mais de 2 anos, se alguém me fizesse a seguinte pergunta:

- Ivo qual o país da cerveja?

Eu responderia sem pestanejar que o país da cerveja era a Alemanha. Não sei o que me fazia ter tanta certeza sobre isso, talvez pela festa Oktoberfest, ou por conta dos filmes onde os alemães sempre passaram a imagem de grandes bebedores de cerveja. Não sei ao certo, o fato é que eu tinha essa impressão que a Alemanha era o país das cervejas, e acredito que não sou o único a ter essa opinião, visto que, sempre que alguém vem falar comigo sobre cerveja, uma das primeiras coisas que me perguntam é sobre as cervejas alemãs, de como elas devem ser maravilhosas.

Entretanto, hoje minha resposta seria completamente diferente, vou mais alem, antigamente eu nem sonharia com essa resposta. Nos dias atuais depois de já ter degustado muita cerveja boa e outras nem tanto, eu responderia que a Bélgica é o país das cervejas. Não falo isso em relação ao número de cervejarias (apesar de serem inúmeras não sei se é o país com o maior número), falo em relação à qualidade das cervejas produzidas naquele país. Não é segredo para ninguém que as belgas são as melhores cervejas que já degustei (como é possível ver no ranking que fiz para o post as melhores de 2012).

Em janeiro deste ano eu me associei ao clube Have a Nice Beer, e para o meu deleite as cervejas do mês passado foram de uma microcervejaria belga que não conhecia e nem nunca havia ouvido falar, o bom de associar-se a algum clube de cerveja é justamente isso ter a oportunidade de conhecer cervejas novas escolhidas por eles, e no caso específico do Have A Nice Beer eles sempre buscam brejas que ainda não são  vendidas no Brasil.

As cervejas do mês de janeiro foram as Petrus Speciale e a Petrus Oud Bruin da cervejaria Bavik (no Brasil o nome adotado pelas cervejas foi Petrus, porém, há países que o nome da cerveja é o mesmo da cervejaria). A cervejaria foi fundada em 1894 na cidade de Bavikhove por Avolphe de Brabandere, um fazendeiro que decidiu parar de produzir cerveja para consumo próprio e começar a ganhar dinheiro produzindo cervejas para vender, junto com seu filho Joseph que foi o primeiro mestre cervejeiro da Bavik, todavia o sucesso da cervejaria só veio anos depois pelas mãos dos netos do fazendeiro e idealizador: Joseph, Ignace e Vicent.

Petrus Speciale


A Petrus Speciale é uma cerveja do tipo Belgian Pale Ale com 5,5% de teor alcoólico, que possui uma coloração âmbar translúcida com creme branco de boa formação e persistência mediana. Emn seu aroma encontramos o herbal do lúpulo com uma leve presença de dulçor. Já em sabor temos um início mais adocicado que aos poucos vai ficando levemente amargo.

O copo ideal para degustação da Petrus Speciale é a tulipa, devendo ser servida na temperatura entre 6 e 10ºC.

Petrus Oud Bruin


A Petrus Oud Bruin é uma cerveja do tipo Oud Bruin ou Flanders Brown Ale com 5,5% de teor alcoólico com uma coloração preta opaca e creme de boa formação e persistência mediana, essa breja é uma da mais diferentes que já degustei. Seu aroma muda aos poucos conforme a mudança da temperatura indo de frutas como ameixas e uva passas para frutas cítricas no final. No sabor logo no início temos um pouco de azedo característicos dos espumantes e no final temos um dulçor caramelizado com um pouco de vinho do porto também.

O copo ideal para degustação da Petrus Oud Bruin são a tulipa e o snifter, devendo ser servida na temperatura entre 8 e 12ºC.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

MESA DE BAR com Ivo Medeiros é notícia!!!



Blog MESA DE BAR com Ivo Medeiros mais uma vez foi notícia. Dessa vez foi no Blog do clube de cervejas CluBeer, numa postagem ainda do ano passado, mas que vim a ver a pouco tempo.

Na postagem Os Blogueiros da Cerveja, o pessoal do CluBeer citam nominalmente 30 blogs e sites dedicados ao mundo cervejeiro, resumindo em poucas linhas o que podemos encontrar em cada blog.

Descrição do MESA DE BAR com Ivo Medeiros pelo pessoal do CluBeer:
“Ivo Medeiros relata em seu blog Mesa de Bar suas experiências com os mais variados estilos e rótulos de cerveja. Análises profundas acompanhadas de sugestões e dicas fazem deste blog uma leitura perfeita para quem realmente aprecia a famosa bebida fermentada.”

Obrigado pessoal do CluBeer!!!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Trappistes Rochefort




Há pouco mais de um ano e meio comecei minhas aventuras no mundo cervejeiro, e desde aquela época que escutava ou lia algo sobre as cervejas trapistas, das cervejas feitas por monges dentro das abadias e mosteiros.

Selo Trapista
Quando iniciei meu interesse por cervejas especiais, sempre busquei experimentar novas cervejas, sendo assim as cervejas trapistas entraram na minha lista de brejas que deveriam ser degustada, e já degustei algumas como a Chimay e a Westmalle (que iremos falar futuramente), além da escolhida para a postagem de hoje a Rochefort Trappistes.

Entretanto, é preciso explicar o que são cervejas trapistas e mais do que isso, é preciso falar da Ordem Trapista.

- O que é a Ordem Trapista?

Bem, Ordem Trapista é uma congregação religiosa católica, onde monges buscam a continua união com Deus, afastando-se do mundo, por isso seus mosteiros e abadias ficam quase sempre fora das cidades, vivendo os monges de atividades agrícolas. Os monges trapistas fazem os três votos religiosos que são: pobreza, castidade e obediência, porém diferenciando-se dos demais, eles ainda incluem o voto de estabilidade, onde o qual o monge promete viver no mesmo mosteiro até sua morte.

Como meio de sobrevivência, funcionamento e a manutenção do mosteiro, além de manter as ações de caridade, os monges trapistas produzem desde pães e queijos a roupa e cervejas. Essa produção tanto serve para arrecadação de fundos, como também para o consumo interno dos monges. É importante salientar que existe um controle muito grande dos produtos fabricados pelos mosteiros e abadias trapistas, eles são sempre produzidos dentro dos mosteiros e em pequena escala, lembrando sempre que eles não visam o lucro.

Agora, após essa breve explanação sobre a Ordem Trapista, fica fácil falar o que é cerveja trapista. Como disse na postagem Tipos de cervejas, o segundo post do MESA DE BAR com Ivo Medeiros, existem 3 estilos de cervejas: Lager, Ale e Lambics, onde cada um possui inúmeros subtipos de cervejas. Pois bem, cerveja trapista não é um estilo, são cervejas que por serem feitas dentro de mosteiros trapistas, recebem o selo da Ordem Trapista, o que a tornam um produto trapista. Atualmente existem 8 mosteiros que produzem cervejas trapistas, 6 na Bélgica, 1 na Holanda e outro na Áustria.

Abadia de Notre-Dame de Saint-Rémy, foto da internet.
Um desses é a Abadia de Notre-Dame de Saint-Rémy, localizado próximo a cidade de Rochefort na Bélgica produz a cerveja Trappistes Rochefort. No mosteiro atualmente vivem cerca de 15 monges que se dividem entre as orações, o cuidado e manutenção da Abadia, as causas de caridade e a fabricação das cervejas e dos demais produtos fabricados por eles.

Agora chegando onde eu gostaria de chegar, a Abadia de Notre-Dame de Saint-Rémy produz 3 cervejas de altíssima qualidade. São elas: Trappistes Rochefort 6, Trappistes Rochefort 8 e a Trappistes Rochefort 10.


Trappistes Rochefort 6 


É uma cerveja do estilo Belgian Dubbel com 7,5% de teor alcoólico, possui uma coloração marron avermelhada, seu creme apresenta pouca formação, todavia bastante persistente, ficndo até o último gole. No aroma detectamos o doce do malte tostado, um pouco do chocolate e uma leve presença de cítrico. Já no sabor encontramos uma grande complexidades, temos novamente o adocicado do malte tostado e chocolate que sentimos no aroma, com um pouco de caramelo e frutas vermelhas. O álcool muito bem inserido dá a essa breja um equilíbrio perfeito. Senti também uma presença bem discreta de algo parecido com café, não consegui identificar direito.

A temperatura ideal para servir é entre 8 e 12ºC, devendo ser degustada nos copos cálice ou tulipa.

Para uma boa harmonização sugiro para acompanhar na degustação patês, acarajé, queijos brie, minas, gouda, prato, gorgonzola e roquefort, pato, chester, massa com molho de tomate ou 4 queijos, carne bovina, lagosta, salmão, peixe frito, petit gateau e torta de chocolate.


Trappistes Rochefort 8


É uma cerveja do estilo Belgian Dark Strong Ale com 9,2% de teor alcoólico, possui coloração marron escura com creme denso com ótima formação e excelente persistência que acompanha até o último e precioso gole. No aroma uma complexidade sensorial que explode ao derramar o precioso líquido ao copo: cítrico, chocolate, café e malte torrado são predominantes, senti ainda algo diferente, não sei dizer bem talvez madeira e nozes. Para completar o deleite que foi degustar essa breja, no sabor temos o mesmo do aroma com um álcool bem presente. Com um final quente e seco.

A temperatura ideal para servir é entre 13 e 15ºC, devendo ser degustada nos copos cálice ou tulipa.

Para uma boa harmonização a sugestão é degustação patês, acarajé, queijos brie, minas, gouda, prato, gorgonzola e roquefort, pato, chester, massa com molho de tomate ou 4 queijos, carne bovina, lagosta, salmão, peixe frito, petit gateau e torta de chocolate.


Trappistes Rochefort 10


É uma cerveja do estilo Belgian Dark Strong Ale com 11,3% de teor alcoólico, possui uma coloração marrom escura com creme bege com boa formação e resistência, ficando uma leve lâmina de bege até o útlimo e derradeiro gole. No aroma, difícil se conter, uma explosão de complexidade: café, ameixa, chocolate, vinho do porto e frutas vermelhas. Já o sabor é tão complexo quanto o aroma. No geral, o sabor e aroma são os mesmo, acrescentando apenas torrado. Apesar dos 11,3%, o álcool é bem inserido sendo percebido apenas no final de forma leve, sem atrapalhar essa breja que até o presente momento é a melhor cerveja que eu já degustei.

A temperatura ideal para servir é entre 13 e 15ºC, devendo ser degustada nos copos cálice ou tulipa.

Para uma harmonizar perfeitamente bem com essa breja, sugiro patês, acarajé, queijos brie, minas, gouda, prato, gorgonzola e roquefort, pato, chester, massa com molho de tomate ou 4 queijos, carne bovina, costela suína, lagosta, salmão, peixe frito, petit gateau e torta de chocolate.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Heineken e sua fantástica fábrica.


Foto By Danilo Grisi
A Heineken é uma cerveja que apesar de ser considerada de massa (ou comercial) possui uma excelente qualidade, sem dúvida é a cerveja comercial que mais gosto.

Heineken além de ser o nome da cerveja, é também o nome da cervejaria holandesa fundada por Gerard Adriaan Heineken no ano 1864. Atualmente a cervejaria atua em mais de 70 países, com 140 cervejarias pelo mundo e mais de 200 rótulos diferentes em seu cartel.

Sempre escrevo aqui no MESA DE BAR com Ivo Medeiros sobre cervejas especiais no geral e o que a Heineken, uma cerveja comercial, estaria fazendo aqui então? Bem, como já disse no começo, a Heineken tem uma qualidade diferente das outras comerciais, sendo uma cerveja que quase e sempre é uma porta de entrada para o mundo das boas cervejas. Entretanto o que me fez criar esse post de hoje, foi um vídeo produzido National Geographic que achei pesquisando sobre cervejas no YouTube.

O vídeo de 45 minutos fala sobre a fábrica da Heineken na cidade de Zoeterwoude na Holanda. E mostra como é fabricada uma das mais conhecidas cervejas do mundo, além do alto controle de qualidade da cervejaria e outras informações bem interessantes.


Para quem é fã de cerveja, vale a pena conferir o vídeo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

As melhores de 2012



O ano de 2012 foi bom, mas já terminou e sempre no começo do ano que se inicia sempre fazemos listas do ano que passou. É lista dos melhores filmes, dos melhores CDs, dos melhores jogos de futebol, dos melhores games, entre tantas outras listas. Sendo assim decidi fazer minha lista com as melhores cervejas que degustei em 2012.

No ranking das melhores cervejas do ano de 2012 só poderiam entrar cervejas que degustei pela primeira vez entre 1 de janeiro de 2012 e 31 de dezembro de 1012, ficando de fora as cervejas que já havia degustado em 2011 e voltei a degustar em 2012.

Elaborar um ranking de cerveja pode parecer tarefa simples, todavia com inúmeros estilos de cervejas e cada um com características específicas é complicado dizer, por exemplo, que uma cerveja do estilo Belgian Dark Strong Ale é melhor que uma Bohemian Pilsener se as características dela são bem diferentes. O ideal seria fazer um ranking por estilos, entretanto minha ideia aqui é apenas dizer quais as cervejas que em minha opinião foram as melhores que degustei durante todo o ano de 2012, sem levar em consideração o estilo ou até mesmo o país.

Infelizmente no Ranking do ano de 2012 não houve nenhuma breja brasileira, todavia isso não significa que não tenha gostado de nenhuma cerveja brasileira. Gostei de várias como a Wals Petroleum, a Bamberg Camila Camila, a Colorado Demoiselle (a Indica eu degustei ainda em 2011), entre outras, porém a concorrência com as estrangeiras foi muito alta, não tendo assim espaço para as nacionais.

O Ranking das 10 melhores de 2012 conta com 8 belgas, uma alemã e outra tcheca. Vamos as vencedoras:

1- Trappistes Rochefort 10
2- Chimay Blue Cap
3- Gouden Carolus Easter
4- Scheneider Aventinus Weizen-Eisbock

5- Struise Black Damnation III

6- Trappistes Rochefort 8
7- Westmalle Tripel

8- Gouden Carolus Classic
9- Pilsener Urquell
10- Kriek Boon

 
O que acharam do meu Ranking? Qual o Ranking das melhores cervejas que vocês degustaram em 2012?